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Mostrando postagens de janeiro, 2019

Notas à leitura de Folhas de Relva, de Whitman

Alguns livros nos consomem em sua leitura desde o início até à última palavra, isso por motivos diversos. Os mais comuns são a densidade de sua narrativa, as emoções conflitantes que o texto desperta em nós, a complexidade de sua temática, a estranheza da prosa ou da lírica que o autor emprega para compor a sua obra, a fluidez assombrosa e multifacetada que assusta e perturba simultaneamente o leitor, a estrutura medonha e cativante, contiguamente, em que o conteúdo da obra está estruturado. Em determinados momentos, logo identificamos porque deixamos de ler um livro, porque resguardamos de sua leitura, adiamos a jornada de decifrar aquela obra para outra ocasião, mais propícia talvez, nunca se sabe quais fatores culminarão em uma perspectiva distinta da que tivemos em nosso primeiro contato com determinado livro, é possível que em outros contextos, circunstâncias emocionais, temporais, venhamos ter uma impressão distinta e talvez sejamos conduzidos por uma leitura jubilosa. Contud...

Epifania, de Roberto N. Bittencourt: a literatura como iluminação

Quando falamos sobre poesia tudo se torna mais difícil, complicado, intricado e avassalador. Nada no universo em que habitam os versos, a prosa lírica, a poética, é simples e fácil de se entender e de se explicar. Sabemos que a poesia enquanto gênero poético, uma vez que estamos a usar aqui a terminologia em sentido do gênero poético, seja ele em verso ou em prosa, dados os poemas em prosa   que também aqui se encaixam com suma perfeição, tem uma longa tradição e está intimamente vinculada a outras manifestações artísticas, como a música e a dança, embora possamos associá-la em linhas gerais a todas às demais manifestações artísticas, teremos o lirismo dos traços de um desenhista, a musicalidade das formas de uma construção arquitetônica, a sofisticada rima dos passos de uma dança e assim sucessivamente, tornado os elementos da poesia comuns às artes em suas múltiplas facetas. Nesse conjunto panorâmico e repleto de sentidos e nuances estéticas, a poesia se torna uma arte d...

A literatura lacrimejante de Conceição Evaristo

O que a literatura deve nos proporcionar? Essa talvez seja uma pergunta cíclica para leitores, críticos literários e escritores. Talvez nunca venhamos nos cansar de fazer perguntas dessa natureza e é muito provável também que as respostas sejam enleadas de ambiguidade, de uma multiplicidade semântica indefinível, que emerjam inúmeras e distintas respostas que nos inquietem, que nos coloquem em situação conflitante e limítrofe. Quem se fizer essa pergunta agora pode encontrar para ela uma resposta que amanhã se torne despida de significado para si mesmo. O que me impele aos livros? O que de fato eu procuro neles? Por que dedico horas e horas de meu dia, de minha semana, de meu mês e do meu ano aos livros? O que tenciono encontra neles, que enredo, argumento, narrativa, narração, estilo, autor, gênero tem me atraído? Indagar é um passo fundamental para a descoberta, um passo necessário, e a mesma inclinação ao questionamento é fundante, seminal, para o conhecimento verdadeiro. Quando...