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Mostrando postagens de junho, 2018

Krypton grotesca ou uma síntese literária fajuta

A literatura é uma arte que se desdobra em inúmeras facetas e há formas atípicas de se escrever nos seus mais diversos gêneros. Contudo, alguns paradigmas, como em todo o campo da invenção humana, são inevitavelmente criados e seguidos anos adentro na história dessa forma de arte esplêndida. Escrever obras derivadas é uma forma de recriar mundos, de recontar histórias fantásticas, encantadoras, deslumbrantes e de cativar outra vez os leitores, oferecendo-lhes versões elegantes, delicadamente trabalhadas, algumas aprimoradas de tal forma que se tornam verdadeiras obras-primas. Outras vezes esse trabalho de síntese, de inspiração em obras pregressas, se torna uma verdadeira calamidade e nos deparamos com textos medíocres, que destoam tanto do contexto original, que não criam nada de inovador dentro daquele trabalho fundante, que nos deixam enfurecidos por terem maculado algo que em si era tão encantador e brilhante. Quando nos propomos a ler livros como Os últimos dias de Krypton...

Dostoievski em uma história que talvez não agrade

Dostoievski é considerado pela crítica um dos mais talentosos escritores russos de todos os tempos e suas obras figuram constantemente nas listas dos melhores livros de todos os tempos, seja lá quem ouse elaborar essas espécies de índex da magna literatura. Um autor de desventuras, em cuja vida a literatura esteve sempre presente, que nos legou obras admiráveis, traz como um traço marcante certo senso de perfeição, o que faz com que os críticos nunca censurem um dos seus textos. Você sempre lerá estudos, críticas e ensaios elogiosos à toda a obra do autor de Crime e Castigo , como se ele fosse incapaz de escrever algo sem qualidade, o que é por si só impossível, mesmo para o mais brilhante dos artistas, sempre haverá uma obra que destoa do conjunto, que fica aquém do que o autor costuma cultivar em seus escritos. Talvez seja este o caso de Uma história desagradável (Editora 34, tradução de Priscila Marques), conto que Dostoievski publicou pela primeira vez em uma revista literári...

A Lentidão de um Kundera irresoluto

Não é raro experimentalismo na literatura, algo que traz um elemento novo para os gêneros friccionais, que subverte algum paradigma, que agrega alguma idiossincrasia aos subgêneros que são diuturnamente explorados por inúmeros autores, que tiveram uma notável evolução ao longo da história. Acontece, também, de alguns autores se arriscarem em estruturas e experimentos que deram certo, mas que foram parcamente adotados como modelo de escrita, seja por inaptidão, seja por temor de não ser exitoso quanto ao resultado, a arte-final pode não ser exatamente o que o autor vislumbrou no início do processo. Muitos autores embrenham-se por caminhos dantes seguidos, escrevendo em um estilo, paradigma ou proposta em que obteve sucesso, em que outros autores também foram bem-sucedidos. Mas, em alguns casos, seguir um caminho que o levou ao sucesso pode não ser exatamente uma senda segura, algo pode vir a se desencaminhar. Nem sempre seguimos duas vezes de forma proveitosa pelo mesmo atalho, às...